Por muitos anos os cientistas tentaram encontrar respostas para uma importante questão: como os ZZ elétrons se arranjam em volta do núcleo? Para investigar a estrutura interna de objetos tão diminutos quanto o átomo, é preciso observá-los indiretamente, analisando as propriedades da luz que emitem quando estimulados por calor ou por uma descarga elétrica. A análise da luz emitida ou absorvida por substâncias é chamada de espectroscopia.

A radiação eletromagnética

A luz é uma forma de radiação eletromagnética, que consiste em campos elétricos e magnéticos oscilantes (isto é, variam com o tempo) que atravessam o vácuo a 3108 ms1\pu{3e8 m.s-1}, ou cerca de um bilhão de quilômetros por hora. Essa velocidade tem o símbolo cc e é chamada de velocidade da luz. A luz visível, as ondas de rádio, as micro-ondas e os raios X são tipos de radiação eletromagnética. Todas essas formas de radiação transferem energia de uma região do espaço para outra. Por exemplo, o calor que você sente quando está exposto ao sol é transmitido através do espaço como radiação eletromagnética.

Quando um feixe de luz encontra um elétron, seu campo elétrico empurra-o primeiro em uma direção, depois na direção oposta, periodicamente. Em outras palavras, o campo oscila em direção e intensidade (Fig. 1B.1.1). O número de ciclos por segundo é chamado de frequência, ff, da radiação. A unidade de frequência, hertz, é definida como 1 ciclo por segundo: 1 Hz=1 s1\pu{1 Hz} = \pu{1 s-1}. A frequência da radiação eletromagnética que percebemos como luz visível é de cerca de 11015 Hz\pu{1e15 Hz}, isto é, seu campo magnético muda de direção cerca de mil trilhões de vezes por segundo ao passar por determinado ponto.

O campo elétrico da radiação eletromagnética oscila no espaço e no tempo. O diagrama corresponde a uma foto de uma onda eletromagnética em um dado instante. O comprimento de uma seta em qualquer ponto representa o valor da intensidade que o campo exerce, nesse ponto, sobre uma partícula carregada. A distância entre dois máximos é o comprimento de onda da radiação, e a altura da onda é a amplitude.
Figura 1B.1.1

A onda se caracteriza pela amplitude e pelo comprimento de onda. A amplitude é a altura da onda em relação à linha central. O quadrado da amplitude determina a intensidade, ou brilho, da radiação. O comprimento de onda, λ\lambda (a letra grega lambda), é a distância entre dois máximos sucessivos. Agora imagine a onda viajando em sua velocidade real, a da luz, cc.

  • Se o comprimento de onda é muito curto, um número muito grande de oscilações completas passa por determinado ponto a cada segundo.
  • Se o comprimento de onda é grande, um número muito menor de oscilações completas passa por esse ponto a cada segundo.

Um comprimento de onda curto corresponde, portanto, a uma radiação de alta frequência; um comprimento de onda longo, a uma radiação de baixa frequência. A relação precisa é: c=λ×f c = \lambda \times f

Exemplo 1B.1.1
Cálculo do comprimento de onda da luz a partir da frequência

Calcule o comprimento de onda da luz vermelha, de frequência 4,31014 Hz\pu{4,3e14 Hz}.

Etapa 2. Use a relação entre frequência e comprimento de onda da radiação.

De λ=c/f\lambda = c/f λ=3108 ms14,31014 Hz=700 nm \lambda = \dfrac{ \pu{3e8 m.s-1} }{ \pu{4,3e14 Hz} } = \boxed{ \pu{700 nm} }

Comprimentos de onda diferentes correspondem a regiões diferentes do espectro eletromagnético (Fig. 1B.1.2). O comprimento de onda da luz visível é da ordem de 500 nm\pu{500 nm}. O olho humano detecta a radiação eletromagnética de comprimento de onda entre 700 nm\pu{700 nm} (vermelho) e 400 nm\pu{400 nm} (violeta). Neste intervalo, a radiação é chamada de luz visível, e a frequência da luz determina sua cor.

  • A radiação ultravioleta tem frequência mais alta do que a luz violeta. Seu comprimento de onda é inferior a 400 nm\pu{400 nm}. A radiação ultravioleta é o componente prejudicial da radiação do Sol, responsável pelas queimaduras e pelo bronzeamento da pele, e destruiria todas as formas de vida na Terra se não fosse praticamente impedida de atingi-la pela camada de ozônio.
  • A radiação infravermelha, a radiação que conhecemos como calor, tem frequência menor (comprimento de onda maior) do que a luz vermelha. O comprimento de onda é superior a 800 nm\pu{800 nm}.
  • As micro-ondas, que são utilizadas em radares e fornos de cozinha, têm comprimentos de onda na faixa de milímetro a centímetro.
Espectro eletromagnético e nomes das regiões. A região chamada de luz visível ocupa um intervalo muito pequeno de comprimentos de onda. As regiões não estão em escala.
Figura 1B.1.2

A cor da luz depende da frequência e do comprimento de onda. A radiação de grande comprimento de onda tem frequência menor do que a radiação de pequeno comprimento de onda.

A radiação, os quanta e os fótons

Em 1900, o físico alemão Max Planck, que propôs que a troca de energia entre a matéria e a radiação ocorre em quanta, isto é, em pacotes de energia. Planck concentrou sua atenção nos átomos e elétrons quentes do corpo negro, que oscilavam rapidamente. Sua ideia central era que, ao oscilar na frequência ff, os átomos só poderiam trocar energia com sua vizinhança, gerando ou absorvendo radiação eletromagnética em pacotes discretos de energia de magnitude E=hf E = hf A constante hh, hoje conhecida como constante de Planck, é igual a 6,61034 Js\pu{6,6e-34 J.s}. Se os átomos transferem a energia EE para a vizinhança ao oscilarem, a radiação detectada tem frequência f=E/hf = E/h.

Ponto para pensar

Por que a radiação ultravioleta é muito mais prejudicial para os tecidos vivos do que a radiação infravermelha?

Albert Einstein encontrou uma explicação para essa observação e, no processo, modificou profundamente o pensamento científico sobre o campo eletromagnético. Ele propôs que a radiação eletromagnética é feita de partículas, que mais tarde foram chamadas de fótons. Cada fóton pode ser entendido como um pacote de energia, e a energia do fóton relaciona-se com a frequência da radiação pela Eq. 1B.1.2. Assim, os fótons da luz ultravioleta têm mais energia do que os fótons da luz visível, que têm frequências menores. De acordo com esse modelo de fótons para a radiação eletromagnética, pode-se visualizar um feixe de luz vermelha como um feixe de fótons com uma dada energia, a luz amarela como um feixe de fótons de energia maior, e a luz verde como um feixe de fótons de energia mais alta ainda. É importante notar que a intensidade da radiação é uma indicação do número de fótons presentes e que E=hfE = hf é uma medida da energia de cada fóton, tomado individualmente.

Exemplo 1B.1.2
Cálculo da energia do fóton

Calcule a energia de um mol de fótons de luz azul, de comprimento de onda 470 nm\pu{470 nm}.

Etapa 2. Calcule a frequência da radiação.

De f=c/λf = c/\lambda f=3108 ms1470 nm=6,41014 Hz f = \dfrac{ \pu{3e8 m.s-1} }{ \pu{470 nm} } = \pu{6,4e14 Hz}

Etapa 3. Calcule a energia de um fóton.

De E=hfE = hf E=(6,61034 Js)×(6,41014 Hz)=4,21019 J E = (\pu{6,6e-34 J.s}) \times (\pu{6,4e14 Hz}) = \pu{4,2e-19 J}

Etapa 4. Multiplique a energia de um fóton pelo número de fótons por mol, que é a constante de Avogadro.

Em=(61023 mol1)×(4,21019 J)=250 kJmol1 E_\mathrm{m} = (\pu{6e23 mol-1}) \times (\pu{4,2e-19 J}) = \boxed{ \pu{250 kJ.mol-1} }

Estudos da radiação de corpos negros levaram à hipótese de Planck da quantização da radiação eletromagnética. A energia do fóton é dada por E=hfE = hf.